quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Praga, Republica Tcheca

Saindo do aeroporto, esperei pacientemente o ônibus que levaria até o centro de Praga. Um ônibus que parecia de 1930 parou no ponto. Viajei de pé, apertada em meio a um mundaréu de pessoas falando alto, uma língua estranha. Dei ao motorista uma nota de 100 coroas tchecas e recebi 2 moedas de troco (uma de 50 e outra de 20), com uma moeda tão diferente da nossa fica fácil perder a noção do quanto se gasta, se é caro ou barato. 

Enfim, Praga. 


Old Town Square
Praga é uma cidadezinha encantadora. Não só pela sua beleza arquitetônica, é um lugar bem boêmio ligado a arte e a música. É notável o motivo de ser considerada um dos grandes centros culturais da Europa, as ruas estão sempre lotadas de músicos tocando ao vivo e em vários pontos da cidade existem feiras de artesanato e comidas típicas. As opções de museu, cinema e teatro estão por toda parte, além das lojas que vendem marionetes e outras coisas talhadas em madeira (artesanato típico local). 

A Old Town Square é um dos lugares mais incríveis que já estive, fica no centro histórico de Praga, localizado na "cidade velha". É uma praça pequena cercada por construções fofas, igrejinhas góticas, barrocas, uma estátua no centro e o melhor de Praga: O Relógio Astronômico. 



O Relógio Astronômico fica em cima de uma torre e foi instalado em 1400 e bolinha, é o relógio mais antigo ainda em funcionamento. Além do horário, ele mostra também a posição do Sol e da Lua e outros dados celestes. 


Relógio Astronômico

O espetáculo acontece de hora em hora, quando as janelinhas principais se abrem e estátuas dos apóstolos começam a se mover junto a outras figuras estranhas (um esqueleto tocando um sino e balançando a cabeça, por exemplo). Em seguida, alguém fantasiado (?) no topo da torre toca uma canção em uma corneta. O esqueleto e outras estatuas na lateral ainda continuam a tocar o sino e se mexer por mais um tempo, enquanto os ponteiros do relógio se movem. Mais uma vez aparece o rapaz da corneta. É difícil descrever essa apresentação tão mitológica e impressionante. Muitas pessoas se acumulam para assistir e uma salva de palmas fecha o espetáculo. 

O cenário que encontrei na Old Town Square foi uma feirinha gastronômica com barraquinhas de comida por toda a praça e um grupo de Jazz tocando ao vivo música da mais alta qualidade. A comida típica é meio pesada, a maioria das coisas que encontrei pra comer tinha algo de carne de porco, linguiça, pão e batata. Mesmo assim, comi a melhor Jacket Potato da vida. 



A cidade tem opções inacabáveis de passeios. As coisas não são tão perto uma das outras, o que te leva eventualmente a optar por usar o metrô. O metrô está longe de ser de uma cidade de primeiro mundo. Mesmo relevando a situação da limpeza, o próprio sistema não é dos mais ágeis. Depois de comprar o bilhete na máquina, que só aceita moedas, você deve procurar por uma outra máquina amarela para validar o seu bilhete antes de acessar a plataforma de embarque. Caso contrário, você pode ser pego e aí não sei exatamente o que acontece depois. Não há muitos avisos sobre este procedimento com o bilhete, o que causa certa confusão no início (que piora pelo fato de praticamente ninguém falar inglês). 


Basílica São José

As melhores atrações estão concentradas na Old Town e o passeio mais tradicional de Praga é o castelo e a circulação por seus entornos. Dá pra fazer bastante coisa a pé, mas o caminho é longo. O Castelo de Praga é reconhecido como o maior castelo do mundo. 

Na verdade, o que chamam de "castelo" me pareceu mais uma região com um conjunto de palácios, torres, igrejas e basílicas do que um único monumento. As construções mantém seu estado de preservação e representam o poder político que perdura por séculos (ainda é o lar do atual presidente da república). Não entendi muito bem aonde começa e termina o "castelo", mas a região em sí é muito bonita e agradável. 

O que facilita bastante o entendimento do passeio, pra quem não conhece, é que você pode comprar um único bilhete que dá acesso a vários pontos do castelo com um roteiro já definido, foi o que fiz. O meu bilhete permitia a entrada na Catedral de São Vito, o antigo Palácio Real, a Basílica de São Jorge e a Rua do Ouro. Lembro de ter subido em alguma torre também para ver a cidade de cima. 


Circular pelos monumentos e pelas ruelas é como viajar no tempo, principalmente na rua do Ouro, uma ruela de pedra com casinhas pequenas e coloridas. A Basílica de São Jorge é uma das construções mais antigas (datada de 920) e ainda mantém sua simplicidade. O interior é de pedra branca, com pinturas no teto. Reserve um dia inteiro para completar o circuito. 


Ponte Carlos
Saindo do castelo, toda a extensão da Old Town é charmosa. Independente dos pontos
turísticos, andar por lá já é um atrativo. A cidade permaneceu lotada dia e noite ao longo dos quatro dias que fiquei, era muita gente circulando pela Old Town Square e pela ponte Carlos, não só turistas como também artistas de rua. 

A ponte Carlos é outro marco importante, uma ponte enorme (quase 10 metros), lotada de estátuas, sempre agitada e que hospeda desenhistas, pintores e músicos. É a principal via de acesso a região do castelo de Praga. Acredita-se que tocar na estátua chamada "São João Nepomuceno" é um ato de boa sorte. Vai saber. 

A influência da religião católica é algo notável pela quantidade de igrejas e monumentos religiosos do século IX, X, que decoram Praga e são atuais pontos turísticos também. A Igreja de São Nicolau é famosa por abrigar o menino Jesus de Praga, uma escultura que atrai milhões de fiéis. Sinceramente não entendi muito bem o motivo desta escultura, em específico, ter tanta importância na vida dos devotos. É uma escultura pequena feita de cera no século XIV, com uma história gigante que passou de geração em geração, foi esquecida por anos atrás de um altar e novamente descoberta em 1637. Existe inclusive uma missa anual em homenagem a esse fato. 

Descobri pelo Trip Advisor que o Zoológico de Praga foi considerado um dos melhores do mundo. Acabei indo conhecer, mas na verdade não gosto de Zoológico. Não gosto de ver os animais presos como atrações para o público. Mesmo assim, reconheço que o espaço foi muito bem projetado. É cercado pela mata e com muita variedade de coisas pra ver, mas estava cheio, calor e eu não voltaria. 


Menor rua do mundo
Em Praga, a maioria das coisas são bem mais baratas do que o padrão. Cerveja, estadia e ingressos são bem mais em conta. Porém fazer compras (roupas, cosméticos e etc) nem pensar. Os restaurantes mais turísticos também não são tão baratos. A menor rua do mundo fica em Praga. Só uma pessoa consegue atravessar por vez e por isso há um sinal para evitar confusões. A rua acaba em um restaurante na beira do rio Vltava. 

A vida noturna é bem agitada, existem muitas opções de boates, bares e restaurantes. Impressionante a quantidade de pessoas abordando os pedestres para vender drogas. Policiais fazem vista grossa para o uso de maconha, vi muita gente fumando nas ruas. 

Os tchecos gostam de bebida violenta. Em qualquer bar o absinto é algo comum de se consumir. As atrações ficam abertas até tarde nas ruas mais turísticas. Existem pequenos museus temáticos que são visitas rápidas e interessantes. Fui em alguns no fim do dia, como por exemplo, museu de equipamentos de tortura, museu de cinema e etc. 

Dei a sorte de encontrar um bar que era um museu de degustação de cerveja artesanal, chamado "Prague Beer Museum". Fui todas as noites lá, você recebe uma cartela infinita de cervejas com explicações detalhadas sobre cada uma delas. No verso, um ranking das cervejas que foram melhores avaliadas em concursos regionais. É muito barato. Dá pra pedir o shot, o half pint e o pint.


Vista Ponte Carlos e Old Town

Passei pela New Town, um contraste entre construções modernas e resquícios de tempos passados. Andei no shopping, tomei um sorvete. Muitas lojas e restaurantes nas ruas, mas nada se compara ao centro histórico, que é muito mais legal. 

4 dias é pouco pro que a cidade tem a oferecer e fica difícil resumir tudo em um post. Praga, espero te ver em breve. 



 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Edimburgo, Escócia

Vista para o Edinburgh Castle
Desde o primeiro minuto que pisei na Irlanda eu já sabia que não poderia voltar para o Brasil sem antes conhecer a Escócia, um dos poucos países que ainda mantem viva sua influência celta. O Inglês é o idioma oficial, mas o gaélico e o scots também são utilizados como idiomas alternativos.

Edimburgo é a capital do país, um lugar especial com um cenário pitoresco totalmente fora do comum. Como em muitas cidades Europeias, há uma divisão entre Old Town e New Town. O centro histórico da Old Town preserva uma impressionante fisionomia dos tempos medievais, com construções do séculos XV, ruelas e etc. Foi considerada patrimônio mundial pela UNESCO por sua carga histórica e estado de preservação.  A cidade foi toda projetada em volta do Edinburgh Castle, uma construção que fica em cima de uma colina e se sobressai na paisagem, sendo visível de vários pontos do asfalto.

A Princess Street é a rua principal com a maior concentração de lojas e comércio. A Grassmarket é a rua dos Pubs, mas chegue cedo! O pub que fiquei fechava às 23h da noite e fomos literalmente expulsos, junto com os demais clientes que ainda estavam por lá. Não há muito movimento nas ruas durante à noite, mas os pubs são ótimos, todos muito bem decorados e aconchegantes. Em muitos é possível encontrar máquinas de jogos, inclusive perdi todas as minhas moedas tentando ganhar alguma coisa. Whisky é o cargo chefe, mas as cervejas escocesas não ficam por menos. São encorpadas e de qualidade, prove a Tennents. 

Câmera Obscura
Além de apreciar a beleza, Edimburgo oferece muitas opções de bons passeios. Um fato curioso é que no meio do centro existem cemitérios que se formaram ao longo dos anos em volta de igrejas, capelas ou o que for. É aberto e qualquer pessoa pode entrar. A paisagem é macabra, mas interessante, cada túmulo tem uma cruz celta lapidada em pedra. Pessoas pelas ruas divulgam passeios noturnos nesses cemitérios e em alguns calabouços com histórias mal assombradas. Não me aventurei. 

Os melhores roteiros da cidade, na minha opinião, são: Câmera Obscura e o Castelo de Edimburgo. 

A Câmera Obscura fica em uma torre próximo a Princess Street e foi um dos passeios mais divertidos que já fui. A Câmera fica no último andar e foi criada há mais de 150 anos como ferramenta de observação da cidade. É uma tecnologia antiga, porém surpreendente. Antes de chegar ao topo, o visitante passa por experiências ilusórias muito divertidas, que são até mais interessantes do que a própria atração principal. Uma manhã ou uma tarde inteira é o período ideal para observar todas as atrações com tempo suficiente para rir até cansar e tirar todas as fotos malucas possíveis. 


Presídio Castelo Edimburgo
O Castelo de Edimburgo é sensacional. É a atração mais visitada do país por sua ampla carga histórica que permite uma interação dinâmica e próxima à realidade da época. Há muita coisa pra ver, desde memoriais de guerra, grandes salões, até mesmo os presídios de guerrilheiros com tamanha preservação. 

Considero os presídios uma das melhores exibições do Castelo, pois você realmente se sente lá. O ambiente sugere isso, há um fundo sonoro de correntes, tosses e etc, além de objetos largados pelo chão, roupas penduradas e panelas simulando restos de comida. Portas antigas de madeira com escritas reais da época estão em exibição e é permitido entrar nas celas e nos calabouços. O espaço do Castelo é enorme, com diferentes ambientes e a circulação é totalmente livre. Nas torres, canhões de guerras estão posicionados e também há mirantes espalhados pelo topo. Recomendo fortemente o passeio. 

Além desses dois, fui também ao Palácio de Holyrood e ao Royal Botanic Garden. O Palácio fica um pouco mais afastado do centro e é a residência oficial da atual rainha quando visita Edimburgo. O passeio é agradável e calmo. Uma famosa rainha da Escócia viveu no palácio por anos, onde foi o cenário de um assassinato. Seu marido assassinou seu secretário por ciúmes (acho que foi isso). O quarto da rainha está disponível para visitação e permanece quase que intacto. Os outros cômodos da casa também são encantadores.


Royal Botanic Garden

O Royal Botanic Garden é dono de um cenário lindo e colorido, perfeito para fazer picnic. Foi criado para o cultivo de ervas medicinais e hoje é aberto ao público. O jardim é enorme. Conheci muito pouco perto das opções disponíveis, infelizmente tempo e dinheiro não ajudaram. Edimburgo é uma cidade como poucas e com uma infinidade de opções para tudo. Não fiz, mas recomendo o passeio para o Lago Ness (prepare o bolso). 

Antes de partir, fui ao Calton Hill, colina com diversos monumentos históricos e visão panorâmica da cidade que hospeda o governo escocês, além de apreciar uma boa gaita de fole pelas ruelas. Foi uma das viagens mais incríveis que já fiz. 




domingo, 5 de outubro de 2014

Liverpool, Inglaterra



Albert Docks
A cidade respira Beatles. Acho difícil algum outro lugar do mundo contar a história dos músicos de forma tão completa como Liverpool. Chega a ser emocionante passar pela casa onde cada um dos integrantes cresceu, além dos lugares citados em muitas das músicas, como o Strawberry Fields e a Penny Lane. 

Isso é possível através do tour chamado "Magical Mystery Tour" que sai do Albert Docks, um complexo de edifícios portuários com grande variedade de lojas, bares e restaurantes. É uma excelente opção para passear durante o dia, pois a vista é agradável, com mesas ao ar livre. Os prédios são baixos de tijolinhos e formam um grande quadrado que cerca o rio Mersey. Na beira, alguns barcos ancorados. O complexo é um dos maiores atrativos da cidade, pois além da qualidade gastronômica, ficam ali o Beatles Story Exhibition, dois hoteis e alguns museus. 

Strawberry Fields
Voltando ao tour, o trajeto dura uma tarde e vai contando toda a história dos Beatles, desde o início como banda da escola até a enorme representatividade que tiveram com o desenrolar do tempo. Passa pela casa onde cada um deles cresceu (mas só é possível ver do lado de fora, já que atualmente é o lar de outras famílias), a Quarry Bank School (escola onde tudo começou), o local onde o John e o Paul se conheceram e etc. Eles viviam vidas simples e eram muito novos quando iniciaram a carreira.

Me comoveu conhecer os lugares citados nas músicas. O Strawberry Fields atualmente é fechado para visitas, mas dá pra espiar alguma coisa através do portão. Não imaginava que originalmente era um abrigo para menores onde John costumava brincar, pois era próximo da casa dos seus tios, na qual morou boa parte de sua infância. Atualmente tem um ar de jardim abandonado e pouco cuidado, os portões são pixados e sujos. 


Penny Lane

A Penny Lane foi uma rua do subúrbio de Liverpool marcante na vida dos Beatles, que gerou uma música com um dos clipes mais loucos que eu já vi. Passamos por ela e achei uma rua grande, parte comercial parte residencial. Quase nada citado na música existe de fato por lá, mas foi bastante frequentada por Paul e John. Nela há uma barbearia que cortava o cabelo de Paul, John e George quando crianças. A dinâmica interpretada na música sobre a Penny Lane é quase uma licença poética de Paul, baseada em suas lembranças nostálgicas.  

É claro que depois do sucesso a rua nunca mais foi a mesma. As placas originais tiveram que ser substituídas por outras com sistema melhor de segurança para evitar furtos. Além disso, praticamente todos os estabelecimentos ganharam mais movimento e temática dos Beatles.

O tour acaba em um dos lugares mais importantes da história da banda: The Cavern Pub. Foi lá que eles costumavam se apresentar antes da fama e assim ficaram conhecidos. Imagino que muita coisa tenha mudado, mas o palco onde eles tocavam parece ainda conservado com a decoração da época. O pub tem uma entrada pequena, há uma escada que leva a um lugar subterrâneo e escuro, que tem uma vibe caverna de pedra com um palco pequeno encostado na parede do fundo.  

The Cavern
Apesar da simplicidade, o pub pode ser considerado quase um museu. Seu interior é lotado de fotos, instrumentos e objetos originais da banda e outros músicos de renome, é interessante. A principal atração são bandas cover dos Beatles ou do John. 

O The Cavern é aberto ao público e funciona normalmente, apesar de ser uma grande atração turística da cidade. Fica bem cheio depois de um certo horário e é meio claustrofóbico nestas condições.  

O museu dos Beatles torna a viagem praticamente completa. A gravação explicativa em áudio é com a voz da irmã do John Lennon e há uma infinidade de imagens que retratam a infância e os primeiros instrumentos de cada um deles. O início da banda, as roupas dos shows, as apresentações na escola, tudo muito preservado. Um yellow submarine gigante com bolhas de sabão e outras viagens do tipo. É um museu bem moderno e interativo. O piano branco onde John Lennon tocou "Imagine" compõe um cenário que comove.  

Liverpool Cathedral
Se quiser fugir um pouco da overdose Beatles, não restam muitas opções, mas há uma que indico especialmente. Conhecer capelas e catedrais nunca foi minha opção turística preferida, porém nenhuma me impressionou mais do que a Liverpool Cathedral. É uma das cinco maiores catedrais do mundo e talvez a mais alta que existe. O espaço interno é realmente algo grandioso e surpreendente.  

Fora isso, vale a pena dar uma circulada pelo centro histórico e pela biblioteca nacional, que possui uma arquitetura bem bonita. Durante à noite a cidade ganha uma iluminação especial, procure fazer o máximo que conseguir a pé. 

Três dias em Liverpool é mais do que suficiente para conhecer a cidade. Se você não curte Beatles nem vá ou então passe uma tarde, se estiver em alguma cidade por perto. Eu particularmente sempre gostei dos Beatles, mas depois dessa viagem minha ligação ficou imensamente maior. Eu passei a pesquisar um pouco mais sobre a história dos músicos e outros detalhes sobre a vida do John até o momento de sua morte no Central Park em NY. Não sinto vontade de voltar, mas foi uma viagem especial, sem dúvidas. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Amsterdã, Holanda



Amsterdã
Para chegar peguei um voo até Eindhoven, no sul da Holanda, e de lá um trem que leva em torno de uma hora e meia até Amsterdã. Praticamente não pisquei o olho durante o caminho, pois a paisagem era realmente impressionantes, fato que torna a baldeação de avião e depois trem uma opção muito válida. Vi muitos campos floridos com aqueles moinhos enormes e animais a beira rio. Há uma variedade maior e mais em conta de voos para Eindhoven, a viagem de trem é fácil e rápida, além de um espetáculo a parte. 

Amsterdã inspira qualidade de vida e é uma das cidades mais interessantes que já conheci. Com certeza me adaptaria com facilidade se tivesse que viver por lá por um tempo. É o equilíbrio perfeito entre uma dinâmica urbana com uma vibe mais intimista. Cercada por córregos, as ruas são estreitas com "casinhas" grudadas umas nas outras, formando um cenário fofo e acolhedor. 


É possível fazer praticamente tudo a pé e a quantidade de bicicletas supera a quantidade de carros (a cidade é altamente estruturada para este tipo de locomoção). Me chamou atenção a quantidade de quiosques de flores espalhados pelas ruas, vendendo principalmente tulipas, além de inúmeras feirinhas ao ar livre com artesanatos, sebos e alimentos orgânicos. São coisas que dão um ar mais alegre para qualquer cidade. 

Tulipas
As opções de passeios culturais são infinitas, há muitos museus disponíveis para visitação, como: Rijksmuseum, Rembrandt e Van Gogh (com a maior concentração de obras do artista no mundo). A casa de Anne Frank é uma opção muito bem vinda também, na qual conta a história verídica de uma família judia que se refugiava da ocupação nazista. 

O Vondelpark é um dos maiores parques da cidade e uma excelente alternativa para uma caminhada leve e tranquila. A fábrica da Heineken é imperdível. Apesar de não ser mais o local onde de fato a cerveja é fabricada, o passeio é totalmente interativo e dinâmico, eu adorei. Infelizmente não consegui ir a Red Light Street, pois era longe de onde eu estava hospedada e acabou não dando tempo. Durante a noite alguns pontos ficam mais movimentados do que outros. Geralmente as praças costumam ficar bem agitadas com pubs e restaurantes. Recomendo a Leidseplein Square, no centro. Evite sair muito tarde, pois às 3 horas da manhã todos os estabelecimentos fecham ao mesmo tempo. A dica é jantar um pouco antes de começar a beber, já que a maioria dos bares ou pubs encerram a cozinha muito cedo. 

É notável que Amsterdã tem um espírito libertário com relação ao sexo e algumas drogas. Os Coffeeshops estão em milhares e sempre lotados. No lugar de bebida alcoólica é servido uma cartela de chás com algumas orientações no verso. Percebi que as opiniões são bem divergentes com relação a esse tema e por isso a discussão se torna interessante. Uns acham que Amsterdã é um lugar sem regras e confundem liberdade com oportunidade de aloprar no consumo de drogas a qualquer canto. Inclusive alguns fazem disso o principal motivo da viagem. Infelizmente, turistas com este perfil é bem comum. 

Ruas de Amsterdã
No entanto, existem leis que regulam o consumo de drogas. O que ocorre é uma certa tolerância a drogas mais leves, como Maconha, mas isso não significa que seu consumo seja completamente liberado. É proibido fumar em locais públicos ou circular com um quantidade maior do que 5 gramas da droga, por exemplo. Qualquer pessoa pega em uma situação como essa é rigorosamente punida e corrupção não é uma alternativa por lá. 
  
Unindo a falta de informação ao choque cultural de alguns visitantes, muitos deles distorcem bastante a realidade. A forma com que os próprios Holandeses lidam com essa permissividade, sinceramente não tenho dados para afirmar, porém enquanto estive lá, o que vi foi que a maioria das pessoas fumava seus baseados civilizadamente dentro do espaço permitido para tal, sem perturbar a vida de ninguém. As poucas vezes que vi pessoas fumando nas ruas ou qualquer comportamento mais exagerado causado pelo consumo de drogas, não foi difícil perceber que eram pessoas de fora. Não estou dizendo que os Holandeses não exageram no consumo de drogas ou que respeitam as leis 100% do tempo, porém, particularmente, vi apenas poucos turistas nesta condição.  


Febo
Qualquer cidade do mundo tem lá seus problemas sociais, mas tive a impressão que Amsterdã, de forma geral, é uma cidade madura com estas questões. Já fui em muitos lugares no mundo (inclusive moro) em que o uso de drogas é altamente proibido, porém percebe-se muito claramente questões graves de desordem e criminalidade influenciados por essa forma de proibição. 

Para fechar, vá ao Febo comer o melhor croquete da sua vida.




Paris, França


Passei praticamente um dia em Paris, foi uma viagem de última hora. O bate e volta se deu por conta de uma promoção da Ryanair pagando 24 na passagem, porém com vôos nos horários mais incomuns possíveis. Chegamos lá mais ou menos meia noite. O hostel ficava em uma ruela que não aparecia no mapa, por isso passamos boa parte do tempo perdidos e em seguida tentamos jantar em um dos poucos lugares com cozinha funcionando naquele horário. 

Notre-Dame
Optei pelo hostel mais barato que encontrei próximo a uma boa estação de metrô e dos pontos que me programei para conhecer. Estávamos perto da estação do Hotel de Ville, uma localização ótima por sinal. Não me lembro o nome do hostel, mas era possível ir andando para o Louvre e Notre-Dame. 

A primeira impressão da cidade foi duvidosa. No horário que cheguei havia pouca iluminação e vi muitos moradores de rua deitados na calçada, além de uma quantidade razoável lixo na rua. O metrô é antigo e também não é a coisa mais limpa do mundo, porém exemplar em funcionamento e extensão. 

Existem várias possibilidades de bilhetes de metrô, desde pagar por um único trajeto, até pacotes de vários dias com acesso ilimitado de viagens. Vale a pena se informar e escolher a opção mais em conta de acordo com a recorrência na utilização do transporte.

Como fiquei pouco tempo, tentei acordar o mais cedo possível para conseguir fazer tudo o que queria, mas curiosamente só amanheceu de fato lá pelas 8h30 da manhã. Antes disso ainda estava escuro e tudo fechado. O dia estava chuvoso, então a primeira coisa que fiz foi comprar um guarda-chuva e sair por aí. Ao longo do dia apreciei bastante a cidade que, mesmo com chuva, tua sua beleza. As construções são preservadas e seguem um padrão de cor em um estilo meio gótico, com partes modernas. Também achei as ruas bem arborizadas de um modo geral.  

Arc de Triomphe
De manhã andei até a Notre-Dame. É uma das catedrais mais antiga da França e fica em uma espécie de ilha chamada Île de la citê. Inspirou o romance "O corcunda de Notre-Dame" escrito por Victor Hugo, que nos anos 90 virou filme da Disney. O interior é acinzentado com iluminação discreta, umas das arquiteturas mais bonitas que já vi. 

Em seguida passei pelo jardim das Tulheires, um jardim simétrico no meio da cidade, que provavelmente fica muito mais bonito durante as outras estação do ano (que não o inverno, quando fui), e cheguei ao Arc de Triomphe. Um monumento na praça Charles de Gaulle, circulado pelo trânsito. 

O transito de Paris é uma curiosidade a parte, o sinal de trânsito é praticamente ignorado pelos motoristas, junto a uma sinfonia caótica de buzinas. Subir no Arc não é nada imperdível, foi uma infinidade de escadas para chegar ao topo e ter uma vista bem mais ou menos da cidade. Existem outras opções que mostram uma paisagem urbana mais do alto. 

Torre Eiffel
A avenida Champs-Élysées me surpreendeu bastante e é quase impossível não passar por lá. Uma das avenidas mais famosas e mais caras em metros quadrados da Europa. Termina no Arc de Triomphe, é enorme, larga e lotada de restaurantes, cafés, cinemas, além das principais lojas de grife (pra quem está com o bolso cheio). Durante todo o dia a rua fica extremamente movimentada e a noite fica iluminada com bares e restaurantes lotados.  

Como qualquer turista em Paris, não podia deixar de conhecer a Torre Eiffel. A fila estava enorme (isso porque estava chovendo e era terça-feira). Confesso que a torre parece muito mais interessante vista de fora, como parte da paisagem, do que de dentro. O interior é bem simples e cercado por um varandão. Você sobe por um elevador, tem umas lojinhas e só. Ainda assim a vista é bonita, dá pra ter uma boa visão do rio Sena e tal. 

Considero o Louvre a maior atração da cidade, dentro do pouco que conheci, claro. Pra quem gosta de museu, tem tempo e prefere olhar tudo com calma (o que não consegui fazer com o pouco tempo que tive), sugiro separar um dia inteiro só para o Louvre e comprar um mapa com a localização das categorias e obras. Assim você consegue otimizar o tempo e não ficar perdido.  



Louvre
Realmente é um museu muito completo no que diz respeito as principais obras reconhecidas no mundo. Tem uma abrangência grande de categorias artísticas com uma carga histórica de importância. São consideradas principais obras: Monalisa, Vitória de Samotrácia e a Vénus de Milo. Também é possível ver coisas do Ticiano, Michelangelo, Goya, Rubens e etc. 


Saí do Louvre à noite, já completamente exausta. Infelizmente não consegui fazer muito mais do que gastar todo o resto do meu dinheiro em um único pint de cerveja (20) porque o bar tinha a vista mais linda da Torre Eiffel iluminada a noite. Naquela mesma madrugada já retornaria para Dublin. Espero conseguir voltar em outra estação do ano, com tempo de conhecer Versailles, Sacre Coeur e muito mais. 




        


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Wicklow, Irlanda

Lago Lough Tay

É até um pouco difícil escrever sobre Wicklow, pois foi um dos lugares mais especiais que já visitei na vida. O condado fica na parte Leste do país, logo ao sul de Dublin, na província de Leinster.

Se o tempo (e dinheiro) for curto, dá pra fazer um tour pelo Wicklow National Park que sai de manhã e retorna a Dublin no final da tarde. Tem várias opções, saindo de diversos pontos, como Trinity College ou na O'Connell mesmo. Recomendo fortemente o tour, pois vai parando em pontos estratégicos e explicando sobre cada pedaço de grama que aparece. O parque é lindo de morrer e já foi cenário de vários filmes.

No trajeto, a primeira parada é em Dun Laoghaire, fica no litoral leste e é considerado região nobre de Dublin, fica grudado na província de Leinster. O Bono Vox mora lá em um condomínio super luxuoso de casas. Sinceramente não vi nada de incrível nessa região, até mesmo porque de litoral o Brasil já está bem servido.


Wicklow National Park
Depois de parar em alguns vilarejos, almoçamos em um pub tradicional e seguimos para o parque. O caminho por sí só já tem sua beleza particular e é diferente de qualquer coisa que eu já tenha visto. São campos rurais com uma grama muito verde, cercado por lagos, montanhas e ovelhas. É tudo altamente preservado e natural.

O Lago Lough Tay fica situado entre duas montanhas do parque e é incrível vê-lo de cima, apesar do vento (se em Dublin já venta bastante, Wicklow venta três vezes mais). Parte da região pertence a família Guinness, que acredita que o lago parece um pint por sua coloração junto a areia branca.

A Sally Gap é uma grande rodovia que corta o parque e liga a parte noroeste à parte sudeste da região. É muito usada por viajantes locais que querem "cortar caminho" e oferece uma vista panorâmica dos vales e montanhas, que ficam lotadas de flores coloridas na primavera e neve no inverno (eu fui no outono e dei azar). É possível ver o Lago Lough também. Foi cenário do filme P.S eu te amo e Coração Valente.


Sally Gap

É uma paz enorme andar pelo parque, eu não queria sair daquele lugar nunca mais, apesar do frio.


Momento bem impressionante do passeio foi chegar a Glendalough, um monastério medieval no alto de uma montanha, que surgiu no século VI e parece cenário daqueles filmes de ficção ou estilo senhor dos anéis. Totalmente sombrio, com ar de abandonado e lotado de lendas, é atualmente considerado como "The Garden of Ireland". 


Bem, de fato foi abandonado, pois com a invasão dos Ingleses parte dos monges que habitavam o monastério ou morreu ou fugiu para outros lugares. Há muitas ruínas ainda, mas a maioria das construções foi destruída pela invasão e muito sobre a história se perdeu. 



Glendalough

A entrada para o povoado se chama "the gateway" e é o monumento mais importante de Glendalough (só que bem depredado já). Há uma torre fina e alta, uma igreja quase intacta e incontáveis túmulos espalhados pelo chão, o que traz uma energia meio macabra para o lugar. Por lá, um silêncio sem igual, só se ouve o vento. 


É uma sensação diferente poder ver de perto ruínas que sobrevivem por tantos séculos e nos permite conhecer de uma forma tão real uma parte da história irish. 


Cada canto de Wicklow tem uma energia bem forte, na qual pude mergulhar completamente.    




segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Galway, Irlanda


Galway é incrível. É uma cidade universitária na província de Connacht, ao Oeste da Irlanda. Se tivesse a oportunidade de morar na Irlanda pela segunda vez, ficaria por lá muito provavelmente. São 2 horas de viagem partindo de Dublin (Uns 200km) e a melhor forma de chegar é de ônibus. Dá pra comprar a passagem na hora. A rodoviária fica no centro de Dublin e muitas linhas de ônibus pra vão até Galway, é possível ir de trem também. Na realidade era o que eu gostaria de ter feito, mas a passagem é muito mais cara e a estação de trem fica em uma região afastada de onde eu morava, acabou não valendo a pena. 


Centro de Galway
Apesar de ser a quarta maior cidade do país, tem clima de cidadezinha de interior com uma pegada mais cultural. O clima é alegre e existem muitas casinhas coloridas cercando a beira do rio que corta a cidade, mas não é difícil se perder por lá. Rodei durante horas até achar o hostel. As ruas são estreitas, tortas e os endereços são confusos.  

Existem duas ruas principais: A Quay Street e a High Street (na verdade uma é continuação da outra). São ruas amplas e muito movimentadas com artistas, músicos, escritores, artesões, duendes e etc. Além de uma quantidade irreal de Pubs, cafés e lojinhas de artesanato. 

Para intercâmbio, apenas três escolas oferecem curso de inglês para Brasileiros, mas não consigo me lembrar o nome agora. Comparado a Dublin, Galway é um lugar mais calmo e com uma quantidade bem menor de imigrantes. 


Cliffs of Moher

A cidade é interessante, pois preserva muito da cultura irish tradicional. É possível ouvir pessoas conversando em Gaélico (língua nativa, pouco usada nas grandes cidades da Irlanda), construções estilo viking, além da alta valorização da arte e da música em ruas e praças. Semestralmente são realizados eventos ligados a arte, teatro e cinema. 

A Catedral é uma das atrações locais, porém não achei nada de mais. Dá pra fazer uma caminhada pelo porto também, mas só vale a pena em dias ensolarados. O melhor de Galway são os passeios pelos arredores da cidade, sendo os principais destinos: Connemara National Park e Cliffs of Moher. Adoraria ter feito os dois, mas só deu tempo de conhecer os Cliffs.  



Considerado uma das maiores atrações da Irlanda e indicado como uma das sete maravilhas do mundo, os Cliffs São 8km de Falésias ao longo do Oceano Atlântico. Uma imensidão de rochas e mar com muitas aves marítimas que circulam o local. Dá um certo medo ficar muito próximo as falésias, são grandes penhasco que mais parecem abismos e não há muita proteção ao longo da trilha, mas mesmo de longe a vista é incrível.  


Poulnabrone Dolmen
O passeio dura o dia inteiro e vai parando   em vilarejos que mais parecem cenários de   filme. Passamos por monastérios do século   13, castelos medievais, ruínas e   monumentos históricos. A área rural do   interior da Irlanda é o que torna o país tão   único e especial.

Almoçamos em Ballyvaughan, um vilarejo totalmente rural, passamos por Doolin, marcado por campos de ovelhas com vista para o mar e cruzamos Kilfenora, uma das aldeias mais antigas da Irlanda, habitada por cerca de 200 pessoas somente. 

    Boa parte dos lugares que passamos envolvia alguma lenda macabra. Me chamou atenção o   Poulnabrone Dolmen, um túmulo de 3 metros apoiado por duas pedras que foi construído 4200 anos A.C.  No período de escavações, nos anos 80, foram descobertos adultos e crianças enterradas dentro no monumento junto a itens pessoais. Não há muitas informações sobre o povo que habitava o local, mas os objetos encontrados sugerem que eram de origem celta. 



Dunguaire, Kinvara 
O Dunguaire Castle, em Kinvara, é uma torre do século 16 cercada pela baía de Galway. Segundo o folclore local, qualquer pessoa que se aproximar do portão do castelo e fizer uma pergunta, terá uma resposta até o final do mesmo dia. 

As paisagens são totalmente únicas e falam bastante sobre a história e tradições locais. Curioso que, mesmo nas menores vilas, tinha ao menos um pub de tamanho razoável. Os pubs em Galway (principalmente nos vilarejos próximos) são completamente característicos e rústicos. Ao longo da tarde, até o cair da noite, fregueses levam seus instrumentos para tocar as músicas tradicionais na própria mesa, enquanto tomam Guinness. Isso sim é Irlanda.  







Malahide, Irlanda


Centro de Malahide


Malahide é uma pequena cidade no condado de Fingal, cerca de 16km de Dublin. Fica no litoral e tem um ar meio "praiano", um dos poucos lugares que vi areia de verdade na Irlanda.Venta horrores, mas é uma cidadezinha bem charmosa, limpa e um pouco mais cara para os padrões (principalmente hospedagem e moradia).


É um lugar interessante para passar o dia e a forma mais prática de chegar é pelo Dart, partindo de Dublin. Não tem muuuitas atrações, a atração principal é o Malahide Castle. O caminho para o castelo é bem intuitivo e em poucos minutos já é possível localizá-lo. Ele fica dentro de um parque enorme e lotado de tudo quanto é tipo de pessoas, desde turistas, crianças e até praticantes de esporte.



Malahide Castle

O Castelo foi habitado até o ano de 1976 e foi a residência de uma família por mais de 700 anos. A visitação guiada não é cara, mas não achei que valia a pena entrar, além disso estava muito cheio.

Foi agradável caminhar pela praia, apesar da ventania e do frio (mesmo no sol). A faixa de areia é enorme e cheia de pedras coloridas. O mar é calmo, sem ondas e a água tem aspecto de limpa, mas provavelmente é muito gelada (não me arrisquei, obviamente).

O dia acabou com um fish and chips, um pint de Guinness, assistindo rugby em um pub qualquer.

Howth, Irlanda


Howth fica a poucos quilômetros ao norte de Dublin, mas não é um destino muito turístico. No passado, era uma aldeia de pescadores que ficava isolada pelo mar, mas atualmente é uma região residencial e ainda muito influenciada pela pesca. É um passeio interessante pra quem está em Dublin e quer sair um pouco do centro. Pra chegar até lá existem 3 linhas de ônibus (31, 31b ou 31c) ou o Dart, opção mais prática e rápida. Leva cerca de 30 minutos o trajeto.

Pier 

O pier de Howth é cercado por bons restaurantes, com frutos do mar de alta qualidade (algo não muito comum no resto de Dublin, por sinal). 

O vilarejo é pequeno e simples, mas os restaurantes costumam ser caros. Algumas regiões mais afastadas do centro são luxuosas, com mansões onde moram alguns músicos famosos.  

Existem muitos mercadinhos pelas ruas que vendem vinhos, além de frutos do mar frescos e mais em conta, comparado ao centro Dublin. No cais é possível ver os barcos de pesca ancorados, algumas focas que ficam esperando por comida e uma quantidade incomum de gaivotas. Em qualquer esquina você encontra barraquinhas vendendo um caldo que eles chamam de seafood chowder. Uma espécie de sopa de frutos do mar, é maravilhoso (e caro).


Vista do quarto para o Howth Castle

A melhor parte do passeio foi ter ficado hospedada no Deer Park, um hotel com custo benefício inacreditável. Situado dentro do parque de Howth Castle, o hotel fica em cima de uma colina com vista para um imenso campo verde, mar e castelo. Os quartos são enormes, aconchegantes, em uma região silenciosa e isolada. Cheguei com reserva para uma noite e acabei ficando duas.

O site: http://www.deerpark-hotel.ie/

Howth fica bem escuro e pouco movimentado durante a noite, mas não é perigoso. Achamos uns dois pubs abertos no centro e que estavam bem cheios (provavelmente os únicos). Mesmo assim, proporcionaram uma noite animada com muita música.



Howth Castle
O castelo de Howth é uma da construções mais antigas da Irlanda, curiosamente ainda habitado por uma família há milhares  de gerações. Para visitar o interior é necessário agendar com antecedência pelo  site, mas não sei se vale muito a pena. O  exterior do castelo e seus entornos já são  atrações a parte. 

Uma caminhada de manhã pelo parque consegue ser infinitamente melhor do que ficar nos restaurantes do centro. O parque é amplo e fica em um ponto alto com uma  vista linda para o mar, lagos e colinas.






domingo, 21 de setembro de 2014

Dublin, Irlanda


Tenho um carinho especial pela Irlanda, onde vivi por 4 meses e me senti completamente conectada com o jeito Irish de ser. A proposta foi passar parte do tempo estudando inglês e outra boa parte viajando pra onde o dinheiro permitisse. 

Dublin é uma cidade pequena e divida por uma sequência numérica. O rio liffey separa o lado par do lado ímpar, sendo Dublin 1 a região central, enquanto os números mais altos tendem a representar regiões periféricas. 



Mapa Dublin
Optamos por morar em Dublin 1, já que assim conseguiríamos rodar boa parte de nossa rotina a pé, além de facilidades com comércio e etc. Os apartamentos nessa região são antigos e costumam ser pequenos. São poucos os prédios com elevador, por exemplo. 

Circulando pela cidade, é possível perceber a presença de grupos que os irish chamam de "nackers". É bom ficar atento, pois eles podem praticar furtos ou provocar o envolvimentos em brigas (mas ninguém anda armado por lá, a violência é mais branda). 


Por isso, ao escolher hospedagem,  o ideal é evitar regiões com uma concentração muito grande de nackers. Certamente você verá muitos deles pelas ruas e é fácil reconhecê-los, mas não representam grande perigo, basta ignorar provocações e tomar cuidado com algumas regiões específicas. 



Temple Bar, Dublin 2
As ruas de Dublin costumam ser bem movimentadas e, nas áreas mais centrais, as pessoas costumam fazer quase tudo a pé. A O'Connell é a rua principal e está sempre lotada durante o dia. De praticamente qualquer ponto da cidade é possível ver o Spire, um monumento marcante que é considerado a maior escultura do mundo. 

Durante os 4 meses lá, só lembro de ter utilizado ônibus para ir ao aeroporto. Mesmo assim, o transporte público é um ponto forte da cidade, já que é possível contar com um sistema de ônibus muito bem organizado (que só aceita moedas como pagamento e não funciona até muito tarde), algo que eles chamam de Luas (tipo um metro na superfície) e o Dart, um sistema de trens que circulam pela cidade e redondezas. 


Um fato curioso é que o centro de Dublin é uma região com um número grande de imigrantes e os Irlandeses acabam sendo minoria. A cidade é bem bohemia e os Pubs estão sempre lotados, muitos com música ao vivo. As músicas irish são sensacionais e engraçadas, falam sobre as bebedeiras ou folclores locais. A melodia tem forte influência celta e folk, eu acho incrível. Dublin 2 é uma região turística com a maior concentração de Pubs por metro quadrado.


Phoenix Park
Durante o dia existe uma infinidade de passeios pela cidade. O que recomendo é o Phoenix Park, o maior parque urbano da Europa, fica em Dublin 8. Outro parque que vale a pena conhecer é o Stephen's Green, Dublin 2. É um parque bem menor e fica no meio da cidade, perto do Trinity College (A escola mais tradicional de Dublin). Minha região preferida é a Grafton Street, uma rua em Dublin 2 de total expressão artística. Por lá estão sempre vários músicos de rua, pintores, artesões ou qualquer maluquice que você possa imaginar. É uma rua agitada, barulhenta, com quiosques de flores. 

Convertendo as moedas, o custo de vida pode ser relativamente caro, por isso fazer compras não é um atrativo turístico.  Pra conhecer um pouco melhor da história local recomendo o Dublinia, uma exposição interativa, didática e muito interessante. Vale a pena fazer uma caminhada pela passarela do Liffey e depois sentar pra tomar um café na beira, fim de tarde. 


Guinness Store House
Guinness Store House é um programa imperdível. Basta pisar na Irlanda para perceber o quão forte e importante é a marca Guinness no país. Apesar das várias cervejas irish, a Guinness é de longe a oficial, com presença obrigatória em qualquer pub. Conhecer a fábrica é parte importante da viagem e diz muito sobre o lado bêbado da cultura dos irlandeses. O ponto alto (literalmente) da visitação à fábrica é beber um pint no gravity bar, uma área no topo do prédio com visão 360° da cidade. Perfeito durante o por do sol.

O povo Irlandês é informal e carismático. São altamente ligados a cultura e tradições do seu país e fazem jus a fama de beberrões.   



St. Patrick's Day



Uma das experiências mais incríveis que tive foi presenciar o St. Patricks Day em terras irlandesas. De fato é uma data onde todas as pessoas saem pelas ruas com fantasias verdes, trevos, duendes e etc. Viram a cidade do avesso e é o caos de um bloco de carnaval aqui no Rio, só que ocupando todas as ruas da cidade, com pessoas penduradas nos monumentos e sem um espaço sequer pra respirar. Valeu cada segundo.