terça-feira, 30 de setembro de 2014

Wicklow, Irlanda

Lago Lough Tay

É até um pouco difícil escrever sobre Wicklow, pois foi um dos lugares mais especiais que já visitei na vida. O condado fica na parte Leste do país, logo ao sul de Dublin, na província de Leinster.

Se o tempo (e dinheiro) for curto, dá pra fazer um tour pelo Wicklow National Park que sai de manhã e retorna a Dublin no final da tarde. Tem várias opções, saindo de diversos pontos, como Trinity College ou na O'Connell mesmo. Recomendo fortemente o tour, pois vai parando em pontos estratégicos e explicando sobre cada pedaço de grama que aparece. O parque é lindo de morrer e já foi cenário de vários filmes.

No trajeto, a primeira parada é em Dun Laoghaire, fica no litoral leste e é considerado região nobre de Dublin, fica grudado na província de Leinster. O Bono Vox mora lá em um condomínio super luxuoso de casas. Sinceramente não vi nada de incrível nessa região, até mesmo porque de litoral o Brasil já está bem servido.


Wicklow National Park
Depois de parar em alguns vilarejos, almoçamos em um pub tradicional e seguimos para o parque. O caminho por sí só já tem sua beleza particular e é diferente de qualquer coisa que eu já tenha visto. São campos rurais com uma grama muito verde, cercado por lagos, montanhas e ovelhas. É tudo altamente preservado e natural.

O Lago Lough Tay fica situado entre duas montanhas do parque e é incrível vê-lo de cima, apesar do vento (se em Dublin já venta bastante, Wicklow venta três vezes mais). Parte da região pertence a família Guinness, que acredita que o lago parece um pint por sua coloração junto a areia branca.

A Sally Gap é uma grande rodovia que corta o parque e liga a parte noroeste à parte sudeste da região. É muito usada por viajantes locais que querem "cortar caminho" e oferece uma vista panorâmica dos vales e montanhas, que ficam lotadas de flores coloridas na primavera e neve no inverno (eu fui no outono e dei azar). É possível ver o Lago Lough também. Foi cenário do filme P.S eu te amo e Coração Valente.


Sally Gap

É uma paz enorme andar pelo parque, eu não queria sair daquele lugar nunca mais, apesar do frio.


Momento bem impressionante do passeio foi chegar a Glendalough, um monastério medieval no alto de uma montanha, que surgiu no século VI e parece cenário daqueles filmes de ficção ou estilo senhor dos anéis. Totalmente sombrio, com ar de abandonado e lotado de lendas, é atualmente considerado como "The Garden of Ireland". 


Bem, de fato foi abandonado, pois com a invasão dos Ingleses parte dos monges que habitavam o monastério ou morreu ou fugiu para outros lugares. Há muitas ruínas ainda, mas a maioria das construções foi destruída pela invasão e muito sobre a história se perdeu. 



Glendalough

A entrada para o povoado se chama "the gateway" e é o monumento mais importante de Glendalough (só que bem depredado já). Há uma torre fina e alta, uma igreja quase intacta e incontáveis túmulos espalhados pelo chão, o que traz uma energia meio macabra para o lugar. Por lá, um silêncio sem igual, só se ouve o vento. 


É uma sensação diferente poder ver de perto ruínas que sobrevivem por tantos séculos e nos permite conhecer de uma forma tão real uma parte da história irish. 


Cada canto de Wicklow tem uma energia bem forte, na qual pude mergulhar completamente.    




segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Galway, Irlanda


Galway é incrível. É uma cidade universitária na província de Connacht, ao Oeste da Irlanda. Se tivesse a oportunidade de morar na Irlanda pela segunda vez, ficaria por lá muito provavelmente. São 2 horas de viagem partindo de Dublin (Uns 200km) e a melhor forma de chegar é de ônibus. Dá pra comprar a passagem na hora. A rodoviária fica no centro de Dublin e muitas linhas de ônibus pra vão até Galway, é possível ir de trem também. Na realidade era o que eu gostaria de ter feito, mas a passagem é muito mais cara e a estação de trem fica em uma região afastada de onde eu morava, acabou não valendo a pena. 


Centro de Galway
Apesar de ser a quarta maior cidade do país, tem clima de cidadezinha de interior com uma pegada mais cultural. O clima é alegre e existem muitas casinhas coloridas cercando a beira do rio que corta a cidade, mas não é difícil se perder por lá. Rodei durante horas até achar o hostel. As ruas são estreitas, tortas e os endereços são confusos.  

Existem duas ruas principais: A Quay Street e a High Street (na verdade uma é continuação da outra). São ruas amplas e muito movimentadas com artistas, músicos, escritores, artesões, duendes e etc. Além de uma quantidade irreal de Pubs, cafés e lojinhas de artesanato. 

Para intercâmbio, apenas três escolas oferecem curso de inglês para Brasileiros, mas não consigo me lembrar o nome agora. Comparado a Dublin, Galway é um lugar mais calmo e com uma quantidade bem menor de imigrantes. 


Cliffs of Moher

A cidade é interessante, pois preserva muito da cultura irish tradicional. É possível ouvir pessoas conversando em Gaélico (língua nativa, pouco usada nas grandes cidades da Irlanda), construções estilo viking, além da alta valorização da arte e da música em ruas e praças. Semestralmente são realizados eventos ligados a arte, teatro e cinema. 

A Catedral é uma das atrações locais, porém não achei nada de mais. Dá pra fazer uma caminhada pelo porto também, mas só vale a pena em dias ensolarados. O melhor de Galway são os passeios pelos arredores da cidade, sendo os principais destinos: Connemara National Park e Cliffs of Moher. Adoraria ter feito os dois, mas só deu tempo de conhecer os Cliffs.  



Considerado uma das maiores atrações da Irlanda e indicado como uma das sete maravilhas do mundo, os Cliffs São 8km de Falésias ao longo do Oceano Atlântico. Uma imensidão de rochas e mar com muitas aves marítimas que circulam o local. Dá um certo medo ficar muito próximo as falésias, são grandes penhasco que mais parecem abismos e não há muita proteção ao longo da trilha, mas mesmo de longe a vista é incrível.  


Poulnabrone Dolmen
O passeio dura o dia inteiro e vai parando   em vilarejos que mais parecem cenários de   filme. Passamos por monastérios do século   13, castelos medievais, ruínas e   monumentos históricos. A área rural do   interior da Irlanda é o que torna o país tão   único e especial.

Almoçamos em Ballyvaughan, um vilarejo totalmente rural, passamos por Doolin, marcado por campos de ovelhas com vista para o mar e cruzamos Kilfenora, uma das aldeias mais antigas da Irlanda, habitada por cerca de 200 pessoas somente. 

    Boa parte dos lugares que passamos envolvia alguma lenda macabra. Me chamou atenção o   Poulnabrone Dolmen, um túmulo de 3 metros apoiado por duas pedras que foi construído 4200 anos A.C.  No período de escavações, nos anos 80, foram descobertos adultos e crianças enterradas dentro no monumento junto a itens pessoais. Não há muitas informações sobre o povo que habitava o local, mas os objetos encontrados sugerem que eram de origem celta. 



Dunguaire, Kinvara 
O Dunguaire Castle, em Kinvara, é uma torre do século 16 cercada pela baía de Galway. Segundo o folclore local, qualquer pessoa que se aproximar do portão do castelo e fizer uma pergunta, terá uma resposta até o final do mesmo dia. 

As paisagens são totalmente únicas e falam bastante sobre a história e tradições locais. Curioso que, mesmo nas menores vilas, tinha ao menos um pub de tamanho razoável. Os pubs em Galway (principalmente nos vilarejos próximos) são completamente característicos e rústicos. Ao longo da tarde, até o cair da noite, fregueses levam seus instrumentos para tocar as músicas tradicionais na própria mesa, enquanto tomam Guinness. Isso sim é Irlanda.  







Malahide, Irlanda


Centro de Malahide


Malahide é uma pequena cidade no condado de Fingal, cerca de 16km de Dublin. Fica no litoral e tem um ar meio "praiano", um dos poucos lugares que vi areia de verdade na Irlanda.Venta horrores, mas é uma cidadezinha bem charmosa, limpa e um pouco mais cara para os padrões (principalmente hospedagem e moradia).


É um lugar interessante para passar o dia e a forma mais prática de chegar é pelo Dart, partindo de Dublin. Não tem muuuitas atrações, a atração principal é o Malahide Castle. O caminho para o castelo é bem intuitivo e em poucos minutos já é possível localizá-lo. Ele fica dentro de um parque enorme e lotado de tudo quanto é tipo de pessoas, desde turistas, crianças e até praticantes de esporte.



Malahide Castle

O Castelo foi habitado até o ano de 1976 e foi a residência de uma família por mais de 700 anos. A visitação guiada não é cara, mas não achei que valia a pena entrar, além disso estava muito cheio.

Foi agradável caminhar pela praia, apesar da ventania e do frio (mesmo no sol). A faixa de areia é enorme e cheia de pedras coloridas. O mar é calmo, sem ondas e a água tem aspecto de limpa, mas provavelmente é muito gelada (não me arrisquei, obviamente).

O dia acabou com um fish and chips, um pint de Guinness, assistindo rugby em um pub qualquer.

Howth, Irlanda


Howth fica a poucos quilômetros ao norte de Dublin, mas não é um destino muito turístico. No passado, era uma aldeia de pescadores que ficava isolada pelo mar, mas atualmente é uma região residencial e ainda muito influenciada pela pesca. É um passeio interessante pra quem está em Dublin e quer sair um pouco do centro. Pra chegar até lá existem 3 linhas de ônibus (31, 31b ou 31c) ou o Dart, opção mais prática e rápida. Leva cerca de 30 minutos o trajeto.

Pier 

O pier de Howth é cercado por bons restaurantes, com frutos do mar de alta qualidade (algo não muito comum no resto de Dublin, por sinal). 

O vilarejo é pequeno e simples, mas os restaurantes costumam ser caros. Algumas regiões mais afastadas do centro são luxuosas, com mansões onde moram alguns músicos famosos.  

Existem muitos mercadinhos pelas ruas que vendem vinhos, além de frutos do mar frescos e mais em conta, comparado ao centro Dublin. No cais é possível ver os barcos de pesca ancorados, algumas focas que ficam esperando por comida e uma quantidade incomum de gaivotas. Em qualquer esquina você encontra barraquinhas vendendo um caldo que eles chamam de seafood chowder. Uma espécie de sopa de frutos do mar, é maravilhoso (e caro).


Vista do quarto para o Howth Castle

A melhor parte do passeio foi ter ficado hospedada no Deer Park, um hotel com custo benefício inacreditável. Situado dentro do parque de Howth Castle, o hotel fica em cima de uma colina com vista para um imenso campo verde, mar e castelo. Os quartos são enormes, aconchegantes, em uma região silenciosa e isolada. Cheguei com reserva para uma noite e acabei ficando duas.

O site: http://www.deerpark-hotel.ie/

Howth fica bem escuro e pouco movimentado durante a noite, mas não é perigoso. Achamos uns dois pubs abertos no centro e que estavam bem cheios (provavelmente os únicos). Mesmo assim, proporcionaram uma noite animada com muita música.



Howth Castle
O castelo de Howth é uma da construções mais antigas da Irlanda, curiosamente ainda habitado por uma família há milhares  de gerações. Para visitar o interior é necessário agendar com antecedência pelo  site, mas não sei se vale muito a pena. O  exterior do castelo e seus entornos já são  atrações a parte. 

Uma caminhada de manhã pelo parque consegue ser infinitamente melhor do que ficar nos restaurantes do centro. O parque é amplo e fica em um ponto alto com uma  vista linda para o mar, lagos e colinas.






domingo, 21 de setembro de 2014

Dublin, Irlanda


Tenho um carinho especial pela Irlanda, onde vivi por 4 meses e me senti completamente conectada com o jeito Irish de ser. A proposta foi passar parte do tempo estudando inglês e outra boa parte viajando pra onde o dinheiro permitisse. 

Dublin é uma cidade pequena e divida por uma sequência numérica. O rio liffey separa o lado par do lado ímpar, sendo Dublin 1 a região central, enquanto os números mais altos tendem a representar regiões periféricas. 



Mapa Dublin
Optamos por morar em Dublin 1, já que assim conseguiríamos rodar boa parte de nossa rotina a pé, além de facilidades com comércio e etc. Os apartamentos nessa região são antigos e costumam ser pequenos. São poucos os prédios com elevador, por exemplo. 

Circulando pela cidade, é possível perceber a presença de grupos que os irish chamam de "nackers". É bom ficar atento, pois eles podem praticar furtos ou provocar o envolvimentos em brigas (mas ninguém anda armado por lá, a violência é mais branda). 


Por isso, ao escolher hospedagem,  o ideal é evitar regiões com uma concentração muito grande de nackers. Certamente você verá muitos deles pelas ruas e é fácil reconhecê-los, mas não representam grande perigo, basta ignorar provocações e tomar cuidado com algumas regiões específicas. 



Temple Bar, Dublin 2
As ruas de Dublin costumam ser bem movimentadas e, nas áreas mais centrais, as pessoas costumam fazer quase tudo a pé. A O'Connell é a rua principal e está sempre lotada durante o dia. De praticamente qualquer ponto da cidade é possível ver o Spire, um monumento marcante que é considerado a maior escultura do mundo. 

Durante os 4 meses lá, só lembro de ter utilizado ônibus para ir ao aeroporto. Mesmo assim, o transporte público é um ponto forte da cidade, já que é possível contar com um sistema de ônibus muito bem organizado (que só aceita moedas como pagamento e não funciona até muito tarde), algo que eles chamam de Luas (tipo um metro na superfície) e o Dart, um sistema de trens que circulam pela cidade e redondezas. 


Um fato curioso é que o centro de Dublin é uma região com um número grande de imigrantes e os Irlandeses acabam sendo minoria. A cidade é bem bohemia e os Pubs estão sempre lotados, muitos com música ao vivo. As músicas irish são sensacionais e engraçadas, falam sobre as bebedeiras ou folclores locais. A melodia tem forte influência celta e folk, eu acho incrível. Dublin 2 é uma região turística com a maior concentração de Pubs por metro quadrado.


Phoenix Park
Durante o dia existe uma infinidade de passeios pela cidade. O que recomendo é o Phoenix Park, o maior parque urbano da Europa, fica em Dublin 8. Outro parque que vale a pena conhecer é o Stephen's Green, Dublin 2. É um parque bem menor e fica no meio da cidade, perto do Trinity College (A escola mais tradicional de Dublin). Minha região preferida é a Grafton Street, uma rua em Dublin 2 de total expressão artística. Por lá estão sempre vários músicos de rua, pintores, artesões ou qualquer maluquice que você possa imaginar. É uma rua agitada, barulhenta, com quiosques de flores. 

Convertendo as moedas, o custo de vida pode ser relativamente caro, por isso fazer compras não é um atrativo turístico.  Pra conhecer um pouco melhor da história local recomendo o Dublinia, uma exposição interativa, didática e muito interessante. Vale a pena fazer uma caminhada pela passarela do Liffey e depois sentar pra tomar um café na beira, fim de tarde. 


Guinness Store House
Guinness Store House é um programa imperdível. Basta pisar na Irlanda para perceber o quão forte e importante é a marca Guinness no país. Apesar das várias cervejas irish, a Guinness é de longe a oficial, com presença obrigatória em qualquer pub. Conhecer a fábrica é parte importante da viagem e diz muito sobre o lado bêbado da cultura dos irlandeses. O ponto alto (literalmente) da visitação à fábrica é beber um pint no gravity bar, uma área no topo do prédio com visão 360° da cidade. Perfeito durante o por do sol.

O povo Irlandês é informal e carismático. São altamente ligados a cultura e tradições do seu país e fazem jus a fama de beberrões.   



St. Patrick's Day



Uma das experiências mais incríveis que tive foi presenciar o St. Patricks Day em terras irlandesas. De fato é uma data onde todas as pessoas saem pelas ruas com fantasias verdes, trevos, duendes e etc. Viram a cidade do avesso e é o caos de um bloco de carnaval aqui no Rio, só que ocupando todas as ruas da cidade, com pessoas penduradas nos monumentos e sem um espaço sequer pra respirar. Valeu cada segundo.